Sobre apagões

Leiam o artigo de Jurandir Picanço sobre os recentes apagões no País:

Apagões da incompetência

“Apagões de energia estão se tornando cada dia mais frequentes e para os quais sempre se buscam justificativas as mais diversas. Daí são anunciados novos investimentos e medidas corretivas.

Conheço o setor elétrico de longa data e posso afirmar sem receio de estar equivocado: no setor elétrico, “nunca na história deste país” tantos cargos foram ocupados por pessoas incompetentes consequência de nomeações por critérios políticos, em todos os níveis das organizações. Convivemos com os “apagões da incompetência”.

Comparam-se os apagões de agora com o racionamento da era FHC. Há uma grande diferença.

Naquela ocasião ocorreu o “racionamento da imprudência”. O competente corpo técnico do setor elétrico visualizou com muita antecedência o risco do racionamento. Vários relatórios circularam com propostas de medidas preventivas para minimizar as consequências da prolongada estiagem. Os níveis dos reservatórios das hidrelétricas extremamente baixos sinalizavam consequências desastrosas. Quanto antes se adotassem as medidas propostas melhor.

Lembro-me bem que poucas semanas antes de se decretar o racionamento, o ministro de Minas e Energia de plantão declarou publicamente que não havia qualquer risco de racionamento.

Certamente apostou na possibilidade de chuvas copiosas, o que não ocorreu.

Decretado o racionamento, afastou-se da condução do processo o incompetente ministério, e as responsabilidades foram repassadas para a Casa Civil que se cercou de tecnocratas de reconhecida competência que ocupavam escalões inferiores.

Evitou-se um desastre maior. Na época ainda predominava a competência nos escalões inferiores.

E agora? Ninguém melhor do que a presidente Dilma para saber que é preciso uma mudança profunda nos quadros de confiança do MME e das estatais.

Cada vez que Dilma demonstra intenção de reintroduzir o critério de competência nas nomeações do setor elétrico, enfrenta desmedida reação dos líderes da “base aliada” com ameaças explícitas de boicotar as iniciativas do Governo no Congresso.

Urge que se reintroduza o critério da competência para as nomeações no setor público, pois, caso contrário, estaremos destinados a conviver com os “apagões” da energia, dos aeroportos, das rodovias, da saúde e no que mais depender da administração pública.

Jurandir Picanço

jurandirpicanco@uol.com.br

Consultor da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec)

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Sobre Fátima Vilanova

Engenheira de Pesca, Doutora em Sociologia, ex-ouvidora da Universidade Estadual do Ceará (UECE), debatedora e comentarista de rádio e articulista de jornais. Palestrante sobre os seguintes temas: ouvidoria, gestão pública, política e cidadania
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