Apartheid salarial no Brasil

Salário Mínimo

Fátima Vilanova – Doutora em Sociologia
mfatimavvilanova@gmail.com

O salário mínimo foi aprovado depois de muitas discussões contra e a favor da proposta do Governo em R$ 545. O trabalhador tem agora de se contentar com míseros R$ 35 de acréscimo, que não representam nada.

Para os parlamentares, a presidente e os ministros, o reajuste foi generoso (de 61,83%, 133,96% e 148,63%, respectivamente), aprovado na surdina e empurrado de goela abaixo dos contribuintes.

Assistimos ao “apartheid” salarial no Brasil, com uma casta de “autoridades” que defende com unhas e dentes os elevados proventos porque se acha superior ao restante da população. Julga-se acima do bem e do mal; precisa ganhar bem para não cair na tentação da corrupção, do desvio; ou porque o “mercado” a remuneraria melhor e aí ninguém assumiria os postos de comando da Nação.

Os demais cidadãos são vistos como ralé; o senso de justiça destas “autoridades” passa longe, embora boa parte dela se encarregue de julgar, e de definir os destinos de todos nós, que bancamos seus gordos salários e mordomias.

A nossa República se desfigura diante de tantos privilégios para uns poucos. A casta fica muda diante do abismo que a separa dos demais mortais, finge que dos protestos não lhe são dirigidos.

O deprimente em tudo isso é assistir ao PT e seus aliados, que no passado defendiam os trabalhadores, protestavam contra a concentração da riqueza, brandiam contra os poderosos e as injustiças, agora no poder mudar os discursos, contrariando as históricas bandeiras de luta. Puro oportunismo. Fazem hoje o que condenavam no passado. O figurino não muda. Quem hoje faz oposição agiu da mesma forma quando era situação. O cinismo toma conta do País.

Um salário mínimo maior, de R$ 600, geraria mais consumo, mais produção, mais emprego, mais arrecadação de impostos, com benefícios para todos. É a melhor Bolsa Família que se poderia almejar, sem os malefícios do assistencialismo. O Governo começa desapontando; ganhou, mas o Brasil perdeu.

Jornal O Povo, 18/03/2011

Anúncios

Sobre Fátima Vilanova

Engenheira de Pesca, Doutora em Sociologia, ex-ouvidora da Universidade Estadual do Ceará (UECE), debatedora e comentarista de rádio e articulista de jornais. Palestrante sobre os seguintes temas: ouvidoria, gestão pública, política e cidadania
Esta entrada foi publicada em Salário Mínimo com as etiquetas . ligação permanente.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s